SEGUNDO TESTEMUNHO


Alguns anos depois de ter me ocorrido o acidente, relatado no Testemunho1, os meus pais decidiram mudar-se para a cidade com o intuito de oferecer aos filhos melhores oportunidades nos estudos. Para mim que sonhava estudar foi uma grande graça, no entanto dois anos após, o meu pai resolveu voltar para o sítio, pois nenhum de meus irmãos querem mais estudar, então achou melhor voltar todos, para que cada um começasse a sua vida lá na roça, "já que não querem estudar; não dá para morar aqui mais só por sua causa, uma vez que fica muito caro a vida na cidade e apenas você quer continuar a estudar". Para mim foi um grande susto. Afinal decidimos que eu continuaria morando sozinho em pequeno quarto de aluguel. Enfrentei muitas dificuldades sobretudo porque não tinha mais o convívio da família, sobretudo, faltava Deus na minha vida. Os meus pais tinham fé, nos mandavam ir para Igreja, assistir a Missa, mas não tinham conhecimentos teológicos para nos passar. Assim fui enfrentando as dificuldades do dia a dia sozinho, sem família e sem Deus. Naquela época, tinha grandes dúvidas com relação ao poder de Deus, a sua misericórdia, a origem da vida na terra e a origem da própria terra. Comecei me preparar para o Vestibular e me aprofundei bastante sobre as teorias das supostas origem da vida e me pareciam, até certo ponto, convincentes. Tinha dentro de mim, até certa revolta, por ver tantos sofrimentos, como a fome, a miséria, determinadas doenças incuráveis, as violências, como maridos assassinarem esposas, crianças morrerem debaixo de pneus de carros: eu queria responsabilizar a Deus por todos estes males, pois se diziam que Deus é todo poderoso, Amoroso e deixava tudo isso acontecer... Então eu questionava: ou Deus não existe - como acreditam, ou existe e não ama como dizem, está lá no seu céu numa boa e que se dane a aqui na terra, os que aqui vivem. Tinha também muita aversão a padres, achava que eram pessoas espertas que viviam à custa dos idiotas e manipulavam a consciência destes para tirar-lhes o seu sustento sem ter que trabalhar. Mas Deus teve misericórdia de mim. Fui convidado a participar de um encontro. (Encontro J.C.).Tinha tudo para não ir lá: não queria saber de Igreja, o encontro aconteceria em Colégio Agrícola, que eu não tinha vontade de ir lá mais, pois tinha passado quase quatro anos por aquele estabelecimento de ensino - regime de internato, e eu mesmo o apelidei de presídio agrícola, o encontro, era como eu dizia na época, invenção de um vigarista - o padre. Mas a misericórdia de Deus foi maior e o Espírito Santo me arrastou para o Encontro. O Encontro começou Sexta-feira à noite e até no Domingo ao meio dia foi de sacrifícios para mim. Não me sentia muito bem ali, eu não deveria ter ido. As palestra chocavam com a minha maneira de ver as coisas do mundo - tudo era o contrário para mim. Após cada palestra, dirigíamos a uma capela onde estava exposto Jesus na Eucaristia. Eu não acreditava. Todos se ajoelhavam diante do altar, menos eu; ficava na parede do fundo da capela, e ficava imaginando o quanto eram ignorantes, aqueles que se ajoelhavam diante daquela hóstia, não tinha lógica acreditar que Jesus estivesse ali, era tudo ignorância. Após aquele momento de adoração e Louvor, havia uma reunião de círculo, para nos aprofundarmos no conhecimento do tema da palestra. Havia um coordenador que procurava conduzir a todos no crescimento da fé. Eu queria fazer o contrário: achava que tinha por obrigação, conscientizar as pessoas e não deixá-los serem levados por conversas sem lógicas. Acho que preocupei e perturbei bastante o coordenador do meu círculo, penso que ele não perdeu a paciência comigo porque estava cheio de Deus, mas fiquei sabendo depois que ele recomendou a equipe de interseção que orassem muito por mim, por que eu estava dando a ele trabalho e preocupação. Me lembro de um fato importante que aconteceu em uma das reuniões de círculo: Em um dado momento o coordenador falou do poder e amor de Deus e eu o rebati com o meu argumento: se Deus é poderoso e amoroso porque tanta miséria, tanta discriminação, tanto sofrimento... O coordenador calmamente, foi puxando um crucifixo que carregava no pescoço e ao mesmo tempo me dizendo, eu não sei bem explicar as razões de todos os sofrimentos, mas eles tem sua importância, senão o próprio Cristo não teria sofrido assim - disse mostrando me aquele crucifixo. A partir daquele momento Deus foi abrindo os meus olhos, era cego e não sabia. Comecei a refletir: não entendo nada das coisa de Deus; é preciso aprender alguma coisa; devo ser eu o idiota; sou um orgulhoso e muitos dos meus defeitos comecei a ver a partir daquele momento. Deus estava me mostrando tudo. No Domingo, por volta das três horas (hora de Divina Misericórdia) dava se o início a uma palestra proferida pelo Pe. Aleixo Susin sobre os sacramentos da Igreja. Além de tudo que aprendi naquele ensino algo diferente acontecia no meu interior, que até então nunca tinha acontecido: Fé, Presença de Deus... comecei a me emocionar! Termina a palestra. Hora de ira à capela. Eu que ainda não havia me ajoelhado nenhuma vez, durante o encontro, sentia uma grande vontade de ajoelhar e pedir perdão pela minha ignorância, meus pecados... só achava que não deveria ir a frente do padre, mas deveria ser o segundo a me ajoelhar, ali, naquele momento tudo era muito diferente no meu interior. Deus existia, era verdade, não estava apenas no céu, estava dentro de mim, participava da minha vida, me acompanhava passo a passo no meu dia a dia; era real. Quando me ajoelhei sentia como uma voz muito suave e bem audível aos ouvidos do coração, era o próprio Cristo que falava: meu filho estás muito enganado; não estou no céus numa boa como imaginas, estou todos os dias junto com você, sofrendo com você, quando você sofre, sofrendo juntos com todos os meus filhos que sofrem neste mundo, continuo sofrendo até hoje; dizia que me amava, que me compreendia, que me aceitava com todos os meus erros e defeitos, sem me condenar... que me perdoava todos os meus pecados, tantas outra coisas importantes que falava em mim naquele momento... para mim foi o momento da "queda de cavalo". Chorei mais de três horas, sem conseguir parar; choro de alegria, de cura, de libertação. Parecia que estava no céu, naquele lugar que considerava "presídio agrícola". Foi o momento do primeiro encontro. O momento de maior emoção da vida. Foi o momento da dissipação das trevas. Momento da incineração da ignorância espiritual, da destruição de grande parte do orgulho, que é o pecado maior, sem dúvida alguma, o momento de maior emoção da minha vida. Pensava que nunca mais iria parar de chorar, achava que teria lágrimas para sempre. Muita alegria e ao mesmo tempo muito arrependimento; só queria chorar; foi um momento muito forte, que jamais esquecerei; Senti Deus, percebi sua presença; a minha vida agora será totalmente diferente. Só parei de chorar quando alguém me disse: você não precisa morrer de amor por Jesus basta viver por Ele. É isso que Ele quer. Concordei. Parei de chorar. Por tanto, posso afirmar com toda convicção: Deus existe, é todo Poderoso, é Amor. ELE VIVE!!! EU O TESTEMUNHO PARA HONRA E GLÓRIA DE SEU SANTO NOME. Amém.